Como é que a IA está a contribuir para gerar padrões de beleza inalcançáveis para as adolescentes?

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    19 May 2026

As redes sociais e a tecnologia transformaram completamente a nossa forma de interagir, mas também estão a redefinir o que significa ser “bonita”. Na atualidade, o auge das ferramentas generativas criou um novo desafio: a inteligência artificial está a inundar os nossos ecrãs com rostos e corpos que simplesmente não existem.

O espelhismo dos modelos visuais

Um estudo recente pôs à prova os gigantes da IA generativa (Midjourney, DALL-E, Meta AI, Stable Diffusion e Adobe Firefly), pedindo-lhes que ilustrassem uma “mulher bonita”.

O resultado revelou uma homogeneidade avassaladora: rostos de extrema juventude, peles impecáveis com efeito de aerógrafo, traços predominantemente caucasianos ou ambíguos, e uma notável falta de diversidade corporal e de idade. Modelos como o DALL-E destacaram-se negativamente, sendo classificados pelos utilizadores como os menos realistas e os menos inclusivos quanto aos tipos de corpo.

Como é que as mulheres reais percecionam estas imagens?

A reação é ambivalente. Embora 66% tenha indicado sentir uma certa ligação inicial devido à generalização massiva das imagens, 42% sentiu-se deturpada ou excluída.

As inquiridas alertaram que a IA faz uma simplificação excessiva e artificial da beleza, promovendo uma perfeição manufaturada que marginaliza os tamanhos grandes, as deficiências e o envelhecimento natural. Não se trata apenas de imagens bonitas; a IA está a configurar padrões de beleza irrealistas que podem prejudicar gravemente o bem-estar das consumidoras.

Através de filtros de realidade aumentada e de marketing com influencers virtuais, as jovens veem-se submetidas a um ciclo de “comparação social ascendente”. Ao compararem-se constantemente com rostos gerados por algoritmos — que não sofrem de poros, rugas ou assimetrias —, a sua perceção do que é um rosto normal fica distorcida.

Este fenómeno provocou o aparecimento da chamada “dismorfia de Snapchat”, despoletando problemas de saúde mental como a insatisfação corporal, depressão, ansiedade social e distúrbios alimentares.

Travão legal: A regulação europeia

Perante esta distorção da realidade, a legislação começou a tomar medidas para proteger os consumidores. O Regulamento Europeu de Inteligência Artificial (RIA) exigirá, a partir de agosto de 2026, que todo o conteúdo visual, de texto ou de áudio que tenha sido gerado ou alterado substancialmente por IA esteja rotulado de forma explícita.