As “Big Tech” contra as cordas: multas milionárias e condenações para a Google e a Meta por causarem vício
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Data27 Apr 2026
Durante anos, o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens foi objeto de debate, mas agora os tribunais começaram a pronunciar-se com sentenças históricas. As grandes tecnológicas já não são intocáveis e enfrentam um ponto de viragem legal que está a mudar as regras do jogo.
“Máquinas de vício”
Numa decisão sem precedentes em Los Angeles, a Meta (empresa-mãe do Facebook e Instagram) e a Google (proprietária do YouTube) foram declaradas “negligentes” por causarem dependência em menores através do design das suas plataformas. Um júri determinou que estas empresas atuaram com “malícia, opressão ou fraude”, ao priorizarem o tempo de ecrã em detrimento da segurança dos jovens.
O caso foi impulsionado por uma jovem, Kaley, que desenvolveu ansiedade, depressão e dismorfia corporal após chegar a passar 16 horas diárias nestas plataformas durante a infância. Os advogados demonstraram que estas redes operam como verdadeiras “máquinas de vício”.
Como resultado, a Meta foi condenada a assumir 70% da culpa e o YouTube 30%, tendo de pagar 6 milhões de dólares em indemnizações à queixosa. Este veredicto soma-se a outro recente em Novo México, onde a Meta foi condenada a pagar 375 milhões de dólares por colocar menores em perigo.

Como resultado, Meta ha sido condenada a asumir el 70% de la culpa y YouTube el 30%, teniendo que pagar 6 millones de dólares en compensaciones a la demandante. Este veredicto se suma a otro reciente en Nuevo México, donde Meta fue condenada a pagar 375 millones de dólares por poner en peligro a los menores.
TikTok consegue escapar
Enquanto Mark Zuckerberg teve de testemunhar no banco dos réus pela primeira vez na história, outras plataformas conseguiram evitar o escrutínio público no último minuto. O TikTok (ByteDance) e o Snapchat chegaram a acordos confidenciais com os queixosos pouco antes do início dos julgamentos.
Embora se tenham livrado do tribunal, as acusações foram claras: o desenho deliberado de algoritmos de recomendação para manter os jovens presos aos ecrãs, aumentando o tempo de utilização.
Austrália lidera a ofensiva
O cerco não se limita aos Estados Unidos. Na Austrália, o governo prepara-se para levar a tribunal a Meta, a Google, o TikTok e o Snapchat por incumprirem uma nova normativa que proíbe o acesso de menores de 16 anos às suas redes.
Apesar de as plataformas terem desativado cerca de cinco milhões de contas de menores desde dezembro, as autoridades australianas denunciam que as empresas estão a fazer “o mínimo indispensável porque querem que estas leis fracassem”.
Os menores continuam a criar contas novas contornando os controlos de idade e, inclusivamente, os próprios sistemas incitam os utilizadores a tentar saltar o bloqueio repetidamente. Por esta falta de compromisso, os tribunais australianos ameaçam agora as companhias com multas que atingem os 49,5 milhões de dólares australianos (cerca de 29 milhões de dólares americanos) por infrações sistemáticas.