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Data29 Jun 2026
A realidade digital dos adolescentes tem um impacto direto no seu bem-estar. A hiperconectividade constante transformou o seu dia a dia, criando um ambiente onde o virtual substitui frequentemente o físico, ou se torna até indistinguível deste. Em países como o México, os jovens passam, em média, entre 8 e 9 horas diárias a interagir com ecrãs, um tempo superior ao que dedicam ao sono.
Esta imersão total está a ter consequências no seu bem-estar digital: em Espanha, um em cada quatro jovens sofre de ciberbullying, consolidando-se como a principal causa do seu malestar emocional, enquanto mais de 60% dos adolescentes em Portugal declara sofrer de ansiedade digital.
Encontramo-nos perante uma geração que convive com ferramentas extremamente poderosas que, embora abram um mundo de possibilidades, também geram medos profundos sobre a sua segurança pessoal e a sua própria identidade na rede.
No entanto, face a este panorama que poderia parecer dominado pela ansiedade tecnológica, os jovens demonstram ter um nível de maturidade e um pensamento crítico muito mais agudo do que a sociedade costuma reconhecer-lhes. E a verdade é que esta mesma juventude, hiperconectada e exposta às complexidades da internet, adota uma postura responsável dentro das salas de aula.
O estudo “Navigating AI in Education”, da Universidade de Oxford, revela que a Geração Z se mostra entusiasmada com o impacto da Inteligência Artificial na educação e reclama uma maior orientação tecnológica, mas reivindica que a figura do professor é “insubstituível”.
Os estudantes não rejeitam a tecnologia; de facto, 39% mostra-se mais entusiasmado do que preocupado com o impacto da IA na sua educação, face a apenas 16% que se declara inquieto.
O que os jovens exigem agora não é a proibição, mas sim orientação. Apenas 15% afirma ter recebido orientação suficiente por parte dos seus estabelecimentos de ensino sobre como utilizar estas ferramentas corretamente.
Os jovens querem desenvolver a sua própria opinião real, sem que um robô faça uma “interpretação vaga” dos seus pensamentos, evitando assim perder a capacidade de aprender por si próprios ao dependerem demasiado da tecnologia.
Esta realidade dos jovens no Reino Unido faz-nos refletir sobre a importância da literacia digital. Será possível que jovens de outros países estejam a viver o mesmo? Será esta uma tendência que vamos ver nos próximos meses na juventude a nível geral?
Por isso, é fundamental dotar as novas gerações de ferramentas e competências que assegurem o seu bem-estar num ambiente em constante mudança. O verdadeiro desafio da nossa era já não é a conectividade em si mesma, mas sim o humanismo tecnológico: garantir que a Inteligência Artificial sirva para potenciar o pensamento crítico dos adolescentes. A juventude já demonstrou a sua maturidade; a responsabilidade de os guiar está agora nas nossas mãos.