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Data4 Feb 2026
Os adolescentes no México passam em média entre 8 e 9 horas por dia interagindo com telas, um tempo superior ao que dedicam ao sono ou à escola.
Diante desse contexto de uso excessivo, devemos entender quais fatores estão a promovê-lo e como podemos encontrar soluções.
Juntamente com a CONCIEO, uma organização mexicana dedicada à prevenção de vícios na juventude, Ana de Saracho, fundadora da SynerTICS, e Isabel de la Torre, “La Bala”, refletimos sobre isso.
A conversa levantou diferentes eixos para entender e gerir a relação dos jovens com o mundo digital:
O cérebro adolescente face ao algoritmo
A «Economia da Atenção» não procura vender produtos, mas sim capturar tempo. Ana de Saracho (SynerTICs) destacou um desequilíbrio biológico perigoso:
– A armadilha do design: os algoritmos são concebidos para a gratificação instantânea.
– Vulnerabilidade biológica: o córtex pré-frontal do cérebro (responsável pelo julgamento) só amadurece aos 25 anos. Pedir a um adolescente que se autorregule diante de uma IA de persuasão em massa é uma batalha desigual.
O espelho adulto e o «Cuidado Digital»
Tania Jiménez (CONCIEO A.C.) lançou uma mensagem direta aos pais: a educação digital começa pela autocrítica.
– Coerência: não se pode exigir desconexão se os adultos vivem na pressa digital (como ouvir áudios a 1,5x).
– Limites com sentido: proibir o telemóvel sem oferecer uma alternativa atraente no mundo offline (convívio, desporto, arte) não funciona. O vazio digital deve ser preenchido com presença real.

A voz da Geração Z: Como se proteger
Isabella de la Torre “La Bala”, cantora e criadora de conteúdo desde os 11 anos, contribuiu com a sua visão do ponto de vista de quem cresceu sob o escrutínio público.
– O mito da perfeição: Isabella falou sobre a pressão pela validação externa e como a comparação com vidas “perfeitas” nas redes sociais prejudica a autoestima.
– Estratégia de sobrevivência: Ela compartilhou seu método pessoal de “camadas”:
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- Diferenciar entre a vida pública (aquilo que está disposta a que critiquem) e a vida pessoal/privada (as suas emoções reais), uma distinção que muitos adolescentes hoje não sabem fazer.
- Diferenciar entre a vida pública (aquilo que está disposta a que critiquem) e a vida pessoal/privada (as suas emoções reais), uma distinção que muitos adolescentes hoje não sabem fazer.
Regulação ou Educação?
Diante das leis que visam proibir as redes sociais para menores de 16 anos, o painel chegou a um consenso:
«A regulamentação é um meio de segurança necessário, mas insuficiente se não houver educação emocional por trás.»
Se um jovem chega aos 16 anos sem ferramentas e conhecimentos básicos, ele continuará vulnerável, mesmo que a lei lhe permita entrar no mundo digital. A chave é a autonomia, não apenas a restrição.
A nova frente: a Inteligência Artificial
A IA generativa não só muda a forma como trabalhamos, mas também como nos sentimos:
– Segurança emocional: é preocupante que os jovens busquem validação em chats de IA em vez de em relacionamentos humanos.
– Crimes por desconhecimento: existe uma falta de consciência sobre a gravidade legal de criar deepfakes ou imagens falsas de colegas, confundindo-as com “brincadeiras digitais”.

Conclusões
– Da «Economia da Atenção» para a «Economia do Tempo»: As empresas e os governos devem começar a valorizar o tempo de qualidade. A oportunidade reside em conceber tecnologias que nos devolvam rapidamente à vida real, em vez de nos reterem infinitamente.
– Higiene Digital como Competência Básica: Assim como aprendemos higiene física ou rodoviária, a “Higiene Digital” deve ser integrada ao currículo escolar e profissional. Isso inclui:
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- Desconexão consciente: Espaços e tempos “livres de telas” por design.
- Alfabetização digital: Entender como funcionam os vieses e a IA para não sermos manipulados por eles.
– Nutrir o lado mais humano: A grande oportunidade é usar a tecnologia para o que ela é boa (produtividade, informação) e recuperar para os humanos o que nos é próprio: o conforto, a empatia e a validação emocional.
– Legislação como oportunidade: Devemos aproveitar o impulso regulatório atual (como as leis na França ou na Espanha) não apenas para proibir, mas para obrigar as plataformas a serem transparentes e seguras por padrão para os menores.
Não se trata de quantas horas passamos conectados, mas do que estamos deixando de fazer enquanto estamos conectados. O objetivo é passar de uma preocupação passiva para uma ocupação ativa.