A Inteligência Artificial e a nova geração digital: refletimos sobre o bem-estar e a inclusão tecnológica em Portugal
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Data1 Jun 2026
Aqui tem o texto corrigido, com o formato original, traduzido para o português de Portugal e com as palavras destacadas (subtítulos e conceitos mais importantes):
A Fundação José Antonio Llorente acolheu um novo encontro em Lisboa, “A Inteligência Artificial e a Nova Geração Digital”, para abordar o impacto das novas tecnologias nos jovens e a importância da inclusão digital no âmbito educativo.
O encontro partiu de uma realidade que exige ação imediata: mais de 60% dos jovens portugueses declaram sofrer níveis de ansiedade digital. Perante a vertiginosa evolução da tecnologia, abordar a sua utilização deixou de ser um desafio tecnológico para se tornar numa prioridade social inelutável.
Marlene Gaspar, diretora-geral da LLYC Lisboa, e Irene Rodríguez, presidente da Fundação José Antonio Llorente, deram as boas-vindas ao espaço, sublinhando a importância de criar fóruns de reflexão para compreender esta nova realidade.

A conversa dividiu-se em blocos de diagnóstico e soluções de ação coletiva, onde se abordou o contexto digital a partir de diversas perspetivas: o design tecnológico, a exclusão educativa, o mercado de trabalho e a literacia digital.
Inclusão educativa e o papel fundamental da família
Francisca Magano, representante da UNICEF, centrou a sua intervenção nos pilares inegociáveis para garantir que a IA se converta numa promotora do desenvolvimento integral dos mais jovens, protegendo a sua saúde mental.
Magano colocou sobre a mesa a realidade da “infoexclusão material” nas escolas, lembrando que ainda há crianças sem acesso a computadores ou à internet. Além disso, alertou para o facto de a falta de literacia digital dos pais, que muitas vezes não sabem responder às dúvidas dos filhos, ser um fator crítico no aumento da ansiedade digital infantil.
Equidade e vieses no design da IA
Por sua vez, Cláudia Mendes Silva, representante da Women in Tech, trouxe uma perspetiva crucial sobre as barreiras de género. Apesar dos esforços nacionais para alcançar os 30% de mulheres especialistas em TIC até 2030, Mendes Silva refletiu sobre a disparidade atual e advertiu para um perigo silencioso: os vieses da própria tecnologia.
Apoiando-se no estudo “Espelho de Igualdade” da LLYC, destacou como os algoritmos recomendam ciências sociais às raparigas até três vezes mais, enquanto direcionam os rapazes para engenharias com o dobro da frequência, dificultando um ambiente de aprendizagem neutro.
Competências críticas frente à “Síndrome da Fraude Artificial”
Luísa Ribeiro Lopes, da .PT, enfatizou que não basta cumprir a meta de dotar com competências digitais básicas 80% dos portugueses até 2030; é vital saber usar a tecnologia com critério.
Luísa aprofundou a necessidade de promover a literacia digital para travar a ansiedade, e alertou para fenómenos psicológicos recentes como a “Síndrome da Fraude Artificial” —a tendência, especialmente em mulheres, para percecionar o uso da IA como batota— demonstrando a urgência de dotar os jovens de espírito crítico.
Talento técnico e a responsabilidade do sector privado
Diogo Madeira da Silva, a partir da visão de uma grande tecnológica como a Huawei, abordou a preocupante escassez de perfis técnicos em Portugal e os desafios de modernizar a Administração Pública sob o princípio “mobile-first”.
Diogo levantou uma profunda reflexão sobre a responsabilidade corporativa: como encontrar o equilíbrio entre a necessidade do mercado de oferecer tecnologia e dispositivos cada vez mais sofisticados, e a urgência de proteger a saúde mental dos utilizadores mais jovens.
Olhar para o futuro
Este encontro deixou claro que o desafio do ecossistema digital português requer ação coletiva. A conclusão foi clara: a colaboração público-privada é o verdadeiro motor de transformação para impulsionar iniciativas inclusivas, proteger os jovens mais vulneráveis do mau uso tecnológico e garantir que a inteligência artificial seja uma ferramenta de progresso e não um fator de exclusão.