Vida digital de los jóvenes

Luzes, sombras e paradoxos: Assim é a vida digital dos jovens

  • Data
    25 Sep 2026

O smartphone se tornou o centro nevrálgico da adolescência. No entanto, o último macroestudo europeu EU Kids Online revela que estar constantemente conectado não equivale a saber navegar de forma segura nem crítica.

Crescer na Europa atual significa ter a porta para o mundo digital sempre no bolso. Para a geração de menores entre 10 e 16 anos, as telas não são uma ferramenta acessória, mas sim a praça pública onde estudam, jogam, se relacionam e constroem sua identidade.

O relatório EU Kids Online 2026, elaborado a partir de uma pesquisa representativa com 28.465 menores em 19 países europeus, analisa como os jovens habitam a rede. Suas conclusões se distanciam dos discursos alarmistas e das simplificações: estamos diante de uma geração mais conectada do que nunca, mas que enfrenta paradoxos notáveis em matéria de segurança, competências críticas e acompanhamento.

Hiperconectados pelo bolso: a era do smartphone onipresente

Se algo define a rotina dos jovens é a hegemonia absoluta do celular. 87% dos menores de 10 a 16 anos acessam a internet diariamente por meio de um smartphone, consolidando uma tendência de alta em relação aos 80% registrados em 2020.

Muito atrás ficam os computadores portáteis ou de mesa (33%), os tablets (20%) e os consoles (19%). A frequência de conexão revela até que ponto o celular está integrado ao seu dia a dia: 58% se conectam várias vezes ao dia.

No entanto, a idade marca a abismo definitivo: enquanto apenas 27% das crianças de 10 anos mostram uma conexão móvel tão frequente, o número dispara para 76% entre os adolescentes de 15 e 16 anos.

 

Oportunidades e habilidades: habilidosos no uso, mas desarmados diante do algoritmo

A internet é, antes de tudo, um espaço de sociabilidade e entretenimento. 78% dos menores utilizam a rede diariamente para estar em contato com os amigos, e um número crescente recorre à Inteligência Artificial generativa para fazer tarefas escolares ou sintetizar informações.

Contudo, o relatório desmistifica o mito do “nativo digital”: estar conectado não significa estar capacitado.

Embora 77% saibam proteger tecnicamente o seu dispositivo (com PIN ou biometria), as habilidades de navegação crítica são baixas:

  • Apenas 42% sabem utilizar a navegação privada para proteger seus dados.

  • Somente 45% conhecem funções avançadas de busca.

  • Apenas metade (52%) afirma saber verificar se uma informação encontrada na internet é verdadeira.

Essa falta de letramento crítico os deixa especialmente expostos em um ambiente dominado por algoritmos de recomendação e conteúdos comerciais que nem sempre conseguem identificar.

Sombras na rede: violência, magreza extrema e discursos de ódio

A exposição a conteúdos potencialmente nocivos aumentou e é uma realidade cotidiana. 40% dos jovens europeus viram no último ano imagens sangrentas ou violentas de pessoas ou animais sofrendo. Logo atrás vêm os conteúdos que promovem a magreza extrema (39%) e as publicações sobre formas de automutilação (37%) ou desafios perigosos (36%).

 

A isso se soma a presença incessante do discurso de ódio: 30% dos menores se deparam com mensagens de ódio ou degradantes pelo menos uma vez por mês. Um dado-chave do relatório é que 90% desses encontros ocorrem de forma não intencional. Quando o contato é involuntário, 57% dos jovens declaram se sentir profundamente incomodados ou desgostosos.

Bullying e ciberbullying: a continuidade da sala de aula para a tela

O mapa do bullying escolar mostra que o ambiente digital amplifica as dinâmicas offline, mas não as substitui.

39% dos jovens afirmam ter sido tratados de forma magoante ou cruel no último ano. A vitimização presencial (cara a cara) continua sendo mais frequente (29%) do que a sofrida exclusivamente online (17%).

Os agressores são, em sua grande maioria, amigos e colegas de escola. No entanto, a rede introduz um elemento desestabilizador: 31% das situações de ciberbullying vêm de desconhecidos e 8% ocorrem sob total anonimato. Além disso, as desigualdades sociais pesam: menores de contextos socioeconômicos vulneráveis sofrem episódios de bullying com maior frequência (51%) do que aqueles de famílias com maior nível de renda (36%).

E quando há problemas? O desafio da confiança familiar

Apesar do alto uso das tecnologias, apenas 48% das crianças e adolescentes europeus afirmam se sentir seguros quando navegam pela internet. A percepção de controle e autonomia é baixa: apenas 14% se sentem “poderosos” ou com pleno controle online.

Quando passam por uma experiência perturbadora na rede — algo que acontece mensalmente com 23% dos menores —, as vias de apoio são reveladoras:

  • 43% recorrem em primeiro lugar a um amigo ou colega.

  • Apenas 35% recorrem aos pais ou responsáveis.

  • Preocupantes 20% não contam a ninguém e guardam o mal-estar para si mesmos.

Embora 78% dos menores considerem fácil conversar com os pais sobre problemas gerais, quando o conflito acontece na rede, o medo da incompreensão, da perda do celular ou das restrições faz com que 1 em cada 5 jovens enfronte os riscos em absoluta solidão.