Conhecemos a situação da adolescência em Espanha na era da IA, em colaboração com a Plan International.

Conhecemos a situação da adolescência em Espanha na era da IA, em colaboração com a Plan International.

  • Data
    19 Nov 2025

O espaço «Conversas Transformadoras» da Fundação José Antonio Llorente acolheu um novo encontro em que, com a ajuda da Plan International, ficámos a conhecer a situação da adolescência em Espanha na era da IA.

Concha López, diretora geral da Plan International, apresentou o último relatório da entidade, «Assim falamos: as vozes da adolescência», um estudo qualitativo que reúne testemunhos de jovens sobre a sua relação com a inteligência artificial e a igualdade.

Esta apresentação foi seguida de um painel de reflexão, análise e debate, abordando os dados mais destacados e explorando possíveis soluções.

Mudanças nas relações

Belén Barreiro, CEO e fundadora da 40dB, centrou a sua intervenção em explicar como a IA estava a reconfigurar as relações entre rapazes e raparigas na adolescência. «Ouvir os grupos e compreender o que está por trás do facto de os jovens serem aparentemente muito menos feministas do que os seus avós tem sido muito interessante», comentou.

Desafio do futuro

Por sua vez, Ignacio Crespo, médico e divulgador, convidou os participantes a pensar no futuro e antecipar possíveis riscos para começar a agir desde já.

«Há algo que custa aos seres humanos: tomar decisões. Diante de muitas opções, ficamos bloqueados e somos mais felizes quando elas são limitadas, quando decidem por nós.

Se, além disso, o enquadram numa aura de superioridade, de saber mais, de ser objetivo… nós aceitamos facilmente”, afirmou.

Intervenção educativa

Por outro lado, Leticia Dolera, atriz, escritora e argumentista, mostrou a sua preocupação com a perda de sentido nos adolescentes, convidando a refletir sobre o motivo dessas inquietações vitais.

«É imprescindível exercer pressão política para um pacto pela educação sexual. Como sociedade, resistimos a chegar a um consenso sobre isso, como se a política ainda não tivesse entrado nas nossas camas, ou o nosso desejo não fosse marcado pelo capitalismo em que vivemos», alertou.

A voz dos jovens

Da mesma forma, Marta Mateo, membro do grupo de participação Youth For Change, da Plan International, partilhou a visão dos adolescentes, dando voz e realidade aos dados, a partir das suas experiências com colegas e amigos.

«Nós, jovens, estamos conscientes do tempo que dedicamos e do poder do algoritmo; eu própria deixei o Instagram por causa do vício, mas acabei no YouTube durante horas. Não acho que falte pensamento crítico, mas sim ferramentas para filtrar conteúdos, um problema que também afeta adultos e crianças”, explicou.

Olhar para o futuro

Este encontro apresentou-nos como os adolescentes falam sobre a IA e como se relacionam com ela, revelando comportamentos e tendências que devemos ter em conta para continuar a promover o bom uso da tecnologia por parte dos jovens.