O impacto do ciberbullying na juventude espanhola: o desafio de proteger num mundo hiperconectado

  • Data
    19 Sep 2025

Os adolescentes enfrentam um ambiente em que um em cada quatro jovens sofre ciberbullying, sendo esta a principal causa que os leva a sentir-se mal emocionalmente.

Este assédio não é uma situação isolada na Internet: 72% dos rapazes e raparigas que o sofrem também sofrem assédio escolar na escola, criando um ciclo contínuo de humilhações do qual não descansam nem mesmo quando chegam a casa.

 

A saúde mental em risco

Lara Contreras, diretora de Influência, Programas e Alianças da UNICEF Espanha, centrou a sua intervenção no profundo impacto do ciberbullying na saúde mental dos jovens, refletindo sobre uma série de dados muito reveladores:

– Um em cada quatro menores sente que teve um problema de saúde mental no último ano.

– Um em cada três decide viver isso em silêncio, sem contar a ninguém.

72% dos jovens que sofrem de cyberbullying também sofrem de bullying presencial nas suas escolas.

 

A IA, um acelerador do assédio

Diana Díaz, diretora da Fundação ANAR, destacou que a evolução do ciberbullying apresenta novos e preocupantes fatores:

– Ciberbullying duplicado: No último ano letivo, os casos de ciberbullying duplicaram, impulsionados significativamente pela Inteligência Artificial.

– A armadilha do conteúdo falso: as ferramentas de IA estão a ser utilizadas principalmente para criar vídeos falsos (deepfakes) manipulando imagens ou vozes, e para suplantar a identidade de menores com o objetivo de ridicularizá-los.

– El rol familiar: La primera reacción de los adultos es determinante. Si los padres reaccionan con excesivo nerviosismo al descubrir el acoso, el menor se cerrará en banda. Las familias deben ofrecer sosiego, contención y abrir el diálogo.

 

Os jovens, impulsionadores da mudança

Sonsoles Romero, jovem do Grupo Consultivo da UNICEF, trouxe a perspectiva inevitável daqueles que cresceram com o espaço digital integrado à sua forma de socialização.

– Uma geração marcada: Ela pediu que se deixasse de criminalizar os jovens por usarem plataformas que, na verdade, são projetadas e governadas por adultos e interesses corporativos focados em gerar tráfego massivo.

– Quebrar o estigma: A sua geração está a liderar a mudança para que a saúde mental deixe de ser um tabu, incentivando a conversa sobre a dor e criando espaços de ajuda entre pares.

A falsa impunidade na Internet

Inés Puig-Samper, advogada e patrona da Fundação Fernando Pombo, encarregou-se de desmontar a crença de que, no ambiente digital, os abusos não têm consequências.

– Crimes tipificados: Condutas como a circulação de fotos íntimas (sextorsão) ou o contacto enganoso de adultos com menores (grooming) já são crimes integrados no Código Penal que acarretam penas de prisão.

– Estratégia de sobrevivência (A Prova): O erro mais comum é apagar o conteúdo por medo de que se torne viral. A estratégia deve ser garantir a prova digital com capturas de ecrã certificadas por um fedatário público (notário ou tribunal) ou plataformas tecnológicas, para depois recorrer à polícia com provas admitidas em tribunal.

 

As novas ameaças do ambiente digital

O desenvolvimento da conversa incluiu termos que estão a ganhar força e relevância devido às suas implicações no bem-estar digital dos jovens:

– Ciberbullying: é o assédio, humilhação ou intimidação através de meios digitais.

– Sextorsão: é uma forma de chantagem em que se ameaça ou coage uma pessoa com a divulgação de fotos ou vídeos de caráter íntimo sem o seu consentimento.

– Child Grooming: é uma prática criminosa e muito grave em que adultos contactam, muitas vezes sob o anonimato das redes sociais, crianças menores de 16 anos.

– Sexting: refere-se à circulação e reenvio de imagens ou vídeos íntimos sem a permissão da pessoa retratada.

 

Conclusões

– Acompanhamento e alfabetização familiar: A prevenção começa com a perda do medo da tecnologia. Os adultos não podem viver à margem; devem «entrar» nas redes, conhecer as referências dos seus filhos (como os streamers) e orientá-los através do acompanhamento, em vez da pura proibição.

– Ações conjuntas: É urgente impulsionar movimentos globais e transetariais que promovam a deteção precoce. Isso inclui fornecer unidades móveis comunitárias, formar os ambientes escolares e fornecer recursos emocionais diretos às famílias.

– Responsabilidade ativa do setor privado: As painelistas exigiram que as empresas de tecnologia e os criadores de videogames assumissem um papel preventivo, incorporando em suas plataformas avisos de limite de tempo e mecanismos ágeis que detectem automaticamente o cyberbullying para eliminá-lo.

O objetivo não é um debate extremo sobre quantas horas é preciso desligar-se, mas sim passar de uma preocupação passiva para uma colaboração ativa entre famílias, escolas, legisladores e empresas tecnológicas, garantindo ambientes seguros para a infância e a adolescência.